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Entrevista a José João Torrinha - “PS de Guimarães soube reinventar-se ao longo dos anos”

sexta, 11 agosto 2017 21:36 //

José João Torrinha, Licenciado em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, é o candidato a Presidente da Assembleia Municipal pelo Partido Socialista nas próximas eleições autárquicas.

Natural de Guimarães e com uma intervenção cívica deveras reconhecida em muitas das associações do concelho, este advogado de 42 anos elogia o caminho que tem sido definido pelo Partido Socialista no concelho de Guimarães. Destaca o mérito a Domingos Bragança no presente e futuro do concelho. Depois de um mandato (2009-2013) como deputado na Assembleia Municipal, seguiu-se a função de líder na bancada socialista (2013-2017).

Depois de um mandato como líder da bancada do PS, como surgiu este convite para ser candidato a Presidente da Assembleia Municipal?
Surgiu com naturalidade. Depois de quatro anos como deputado e mais quatro anos como líder da bancada do PS, em que fui afirmando as minhas posições, os responsáveis do Partido entenderam que fazia sentido - uma vez que o Dr. António Magalhães não pretendia continuar - que fosse o indigitado. Confesso que na altura foi uma surpresa, mas tenho muita honra no convite e sempre disse que estaria onde entendessem que seria mais útil.

Qual o balanço que faz a estes últimos quatro anos na liderança do Partido Socialista na AM?
Completei, primeiro, quatro anos como deputado e tinha a ideia de que a liderança da bancada era algo de bastante responsabilidade. Mas, de facto, julgo que é difícil ter-se uma noção real do quão exigente é exercer o cargo até o desempenhar, pois temos de estar sempre preparados para tudo. Podem dizer que são apenas cerca de cinco Assembleia Municipais por ano, mas a verdade é que há todo um trabalho de preparação, escolha dos intervenientes, reuniões que são necessárias e uma preparação cuidada do próprio líder para que, mesmo nas matérias que não estão previstas serem abordadas, esteja preparado para intervir. É um cargo de grande exigência e só tive a verdadeira noção disso quando o desempenhei.

Agora, é uma responsabilidade acrescida suceder a António Magalhães?
Claramente. Já afirmei publicamente que o Dr. António Magalhães foi a principal razão de eu estar ligado à atividade política local. O legado deixado por si e pela sua equipa foi o motivo que me entusiasmou a intervir. Enquanto presidente da Assembleia também imprimiu um cunho muito próprio, diferente dos anteriores, mas acabando por reunir um grande consenso à sua volta. Isso é um grande desafio para o próximo Presidente da Assembleia Municipal e em particular para mim, caso os vimaranenses entendam dar-me essa confiança.

Enquanto candidato à Assembleia Municipal nestas autárquicas defende que deve existir uma mensagem conjunta do Partido Socialista nestas eleições?
Defendo que sim, pois não faz sentido que existam mensagens cruzadas. O Partido escolheu os seus candidatos e todos se revêm naquilo que é a obra do Partido Socialista nestes quatro anos. Enquanto candidato, estive e estou na primeira linha da defesa do trabalho desenvolvido pelo Dr. Domingos Bragança e pela sua equipa. Na medida do possível, procuro ainda passar para as pessoas aquele que é o meu perfil enquanto interveniente político e social.

Pode definir na primeira pessoa qual o seu perfil?
Sou de Guimarães, nasci cá e sempre tive uma intervenção cívica seguindo o exemplo de vida do meu pai que até falecer foi uma pessoa de enorme intervenção cidadã a todos os níveis. Foi uma boa herança que recebi e procurei sempre estar á altura da mesma. A intervenção política é apenas mais uma e não é sequer a principal, pois continuo a ter várias participações em associações de Guimarães e continuarei a ter.

Quais as associações que teve ou tem ligação?
Desde que comecei a trabalhar estive na Associação Convívio, primeiro como diretor e depois como Presidente. Estive ainda na Associação de Apoio à Criança, na sua fundação, na direção e ainda integro os órgãos sociais. Desde há uns anos que também faço parte da Associação de Antigos Estudantes do Liceu de Guimarães; já fiz parte da delegação de Guimarães da Ordem dos Advogados e da Cooperativa o Povo de Guimarães e integro ainda a direção da Associação Muralha.

A filiação ao Partido Socialista é consequência da sua ação na política?
Em 2009 quando entrei para a Assembleia Municipal fui como independente e o mesmo aconteceu nas eleições de 2013. Há cerca de ano e meio filiei-me no Partido Socialista porque achei que fazia sentido e não pelo facto de ter então maiores responsabilidades. De facto, identifico-me com as ideias e o rumo que tem sido definido pelo Partido Socialista, pelo que fazia todo o sentido a filiação.

Como define a lista do PS para a Assembleia Municipal?
É uma lista que continua a contar com elementos que já tem demonstrado uma enorme intervenção na área política, existindo uma continuidade daquilo que tem sido este caminho e também com algum refrescamento e que é natural que exista sempre. Temos pessoas que estão próximas do Partido e pessoas que não estando tão próximas intervém em Guimarães nas mais diversas áreas.

Como vê o facto de uma lista da oposição ter um candidato à Assembleia Municipal sem uma ligação reconhecida ao concelho de Guimarães?
A decisão do PSD em convidar uma pessoa com o perfil do Dr. Aguiar Branco para a Assembleia Municipal de Guimarães está há muito tomada. Se bem se mal, não é o nosso problema. O que me preocupa agora é apresentar aos vimaranenses os argumentos e as razões pelas quais me devem escolher a mim como Presidente da Assembleia Municipal em Guimarães. É isso o que vou fazer durante a campanha.

O Dr. José João Torrinha marcou um cunho pessoal como líder da bancada do PS neste mandato. Pretende fazer o mesmo como Presidente da Assembleia Municipal?
Isso é inevitável, pois seria estranho que alguém que se candidata a um cargo destes afirmasse que pretende fazer exactamente o mesmo que os seus antecessores. Pretendo retirar o melhor do que cada um dos anteriores Presidentes deixou na Assembleia Municipal, mas há sempre um cunho pessoal de intervenção de que não abdico.

A confiança que tem sido manifestada pelos eleitores vimaranenses no Partido Socialista ao longo destes últimos 28 anos é sinal que o trabalho está a ser bem feito?
O PS tem obra para mostrar mas nunca ficou prisioneiro do passado. Pelo contrário, soube-se reinventar ao longo dos anos. Isso é uma característica quer ao nível dos Executivos quer na Assembleia Municipal e o facto de haver pessoas exteriores ao partido que acham interessante abraçar estes desafios, como foi o meu caso há oito anos, prova que o PS tem uma grande capacidade de se renovar e de ser atrativo para aqueles que pretendam intervir e se sintam confortáveis em abraçar o Partido Socialista. Se porventura fosse um Partido estático e fechado, as pessoas não se sentiriam minimamente motivadas para colaborar com o PS e isso, felizmente, não acontece.

O trabalho realizado pelo Dr. Domingos Bragança é o exemplo da visão que Guimarães tem sempre por onde crescer?
O Dr. Domingos Bragança assumiu um desafio que não era fácil: manter estruturalmente as prioridades e as políticas anteriores do PS, e ao mesmo tempo acrescentar mais camadas e crescer para outras áreas que achou que deviam ser mais valorizadas. Esse foi um desafio difícil que o Dr. Domingos Bragança assumiu nestes últimos quatro anos, mas nos quais conseguiu em pleno fazer vingar a sua aposta. Passou no exame com distinção, se assim se pode dizer.

Este caminho deve ter continuidade?
Não tenho qualquer dúvida sobre isso. Com o Dr. Domingos Bragança houve uma evolução da continuidade, mantendo as apostas chaves na cultura, educação e área social, mas acrescentou uma grande aposta nas áreas do ambiente e economia. No fundo, houve uma reinvenção dentro daquilo que é o quadro clássico do PS em Guimarães.


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  • fernanda mendes

    "Não têm havido cheias na Zona de Couros, depois de construídas as bacias de retenção. Foi uma obra necessária que cumpriu o objetivo e um desejo antigo dos moradores." (Fernanda Mendes, 49 anos, São Sebastião)

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